
O projeto Lugares de Ontem, Brincadeiras de Sempre resgata e preserva o patrimônio cultural e imaterial de Alagoas, valorizando as histórias, tradições e brincadeiras que marcaram gerações. Através da criação de um acervo digital interativo, o projeto promove o conhecimento sobre a cultura popular alagoana e incentiva o diálogo entre crianças, jovens, adultos e idosos.
Com foco na inclusão e na valorização dos saberes orais, o projeto documenta memórias afetivas por meio de entrevistas, fotos e vídeos, acessíveis a qualquer pessoa, em qualquer lugar. A proposta nasceu da urgência de preservar práticas culturais ameaçadas pela modernidade, especialmente nas áreas urbanas.
Mais que um repositório digital, o site será uma plataforma educativa e afetiva, onde comunidades locais, educadores, turistas e o público digital poderão explorar, interagir e se reconectar com a essência cultural de Alagoas. O projeto foi aprovado pelo PNAB – Alagoas, na categoria Memória e Organização de Dados, e reafirma o compromisso com a identidade, o pertencimento e a transmissão de saberes entre gerações.
Os municipios escolhidos foram: Penedo, São Miguel dos Campos, Boca da Mata e Jequiar
Entrevistas e Registros

- Crianças - 6 há 12 anos - Penedo
Em um povoado dentro do Municipio de Penedo, encontramos essas crianças conversando em uma calçada de uma uma igreja, conversamos com elas qual era as suas brincadeiras na quele lugar e nos contaram tantas brincadeiras novas e tão criativas, sem muito acesso ao digital sentimos o qual eram livres na quela comunidade pequena mas tão cheia de diversão. Nossa visita inesperada elas ficaram tão animadas e nos contaram de um jeito tão feliz brincadeiras que eram feitas ali. Na cidade encontramos o artesanato com varios brinquedos de epoca como: peteca, pião, boneca de pano, aviao de madeira, cavalinho de madeira, marionetes, apitos entre outros. Na cidade também vimos uma cavalgada de cavalos varias crianças e adultos também montados em cavalos tinha mais de 50 pessoas contando entre eles. A cidade histórica carrega muitas tradições historicas.
- Maria -56 anos - Boca da Mata
A infância de Maria por brincadeiras simples e momentos de alegria ao lado dos irmãos. Entre as atividades favoritas estavam amarelinha, esconde-esconde e pega-pega. Ela também gostava de subir em árvores para colher frutas e fazer balanços improvisados com os irmãos.
À noite, a família se reunia na frente de casa, deitava em uma esteira e ficava olhando para o céu, contando estrelas e imaginando formas nas nuvens, como carneirinhos e bodinhos. As brincadeiras também incluíam bonecas feitas de sabugo de milho, criadas quando o milho estava quase maduro. As crianças desenhavam olhos e bocas nos sabugos, transformando-os em suas “filhas”.
Outro momento especial era acompanhar a madrasta ao rio para lavar roupa. Lá, além de ajudar, as crianças aproveitavam para brincar na água, tornando a tarefa divertida. Maria lembra com carinho de como ela e as irmãs, Karine e Edivane, estavam sempre juntas nessas aventuras.
O trabalho também fazia parte da rotina desde cedo. Quando completavam sete anos, as crianças acompanhavam o pai no corte de cana, cada uma com seu facão. Os menores ficavam em casa, enquanto os maiores iam trabalhar no campo, saindo de madrugada em caminhão para o canavial. Mais tarde, já crescida, Maria trabalhou como babá.
Apesar das responsabilidades, Maria destaca que a infância foi maravilhosa, repleta de brincadeiras e trabalho, compondo uma vida simples, mas cheia de significado e união familiar.
- Cordélia -96 anos - São Miguel dos Campos
Aos 94 anos, Cordélia relembra com carinho sua infância vivida em uma propriedade rural. Suas brincadeiras favoritas envolviam muita criatividade e movimento: ela costurava roupinhas de boneca, gostava de brincar de pega e se divertia balançando nas árvores. Apesar de ser uma criança responsável, sempre ajudando a mãe e ficando por perto, Cordélia também aproveitava para brincar com meninos e meninas, mostrando que as brincadeiras eram para todos.
No sítio, as crianças inventavam apelidos carinhosos para os familiares e se desafiavam em brincadeiras como rolimã e aladeira, que exigiam coragem e energia. Nem todos aguentavam o ritmo, mas Cordélia e o irmão mais velho estavam sempre prontos para a diversão.
Ela destaca que não era muito de brincar de cozinhar, preferindo costurar e criar suas próprias brincadeiras. Aventuras no rio também faziam parte da rotina: atravessar o rio em jangadas e nadar eram momentos de pura alegria e liberdade. Andar de cavalo era outra paixão, reforçando o quanto o esporte e o contato com a natureza marcaram sua infância.
Cordélia encerra dizendo que teve uma infância feliz, repleta de brincadeiras, desafios e muito afeto, mesmo reconhecendo as diferenças de personalidade entre os irmãos. Suas memórias mostram como a simplicidade e a criatividade eram essenciais para a diversão e o crescimento naquela época.
- Eliane - 67 anos São Miguel
A infância de Eliane foi marcada por brincadeiras simples e criativas. Ela lembra com carinho das bonecas, das brincadeiras de casinha e de “cozinhado”, onde simulava preparar comidinhas. Outras atividades populares eram “boca de forno”, “jogar pedra”, “roda”, “tirei o pano gato” e jogos de adivinhação com nomes de animais, como Javali e Jacaré. Quem errava, pagava uma prenda. O anel passado de mão em mão também fazia parte das diversões.
Apesar dessas brincadeiras, conta que sempre gostou muito de conversar com adultos, preferindo o diálogo com pessoas mais velhas a brincar com crianças da mesma idade. Ela também era apaixonada por leituras e gostava de ouvir histórias e conversar sobre diversos assuntos.
Em sua reflexão, Eliane destaca como as brincadeiras de antigamente eram saudáveis, promoviam solidariedade e não havia maldade entre as crianças. Ela observa que, atualmente, as crianças estão cada vez mais conectadas à tecnologia desde muito cedo, o que, segundo ela, prejudica o desenvolvimento humano. Eliane lamenta a falta de paciência, a busca pelo imediatismo e a ausência de resiliência nas novas gerações, ressaltando que, no passado, havia mais espaço para errar, recomeçar e aprender com as experiências.
- Marcos - 69 anos Jequiar
A infância de Marcos foi recheada de brincadeiras criativas e tradicionais. Ele recorda com humor como as crianças eram “bem abestaiadas”, inventando jogos e se divertindo com o que tinham à disposição. Entre as brincadeiras, estavam as bonecas feitas de pãno, o “cozinhado”, e jogos como “brincadeirinha a lança”, “roba bandeira”, “garrafão”, “chibra”, “pinhão” e “arraia” (pipa). O “escondido” era uma das diversões favoritas, usando uma varinha para esconder objetos enquanto os outros procuravam, guiados pelas dicas de “tá quente, tá frio”.
Marcos também relembra o contexto da época, mencionando as fábricas locais, como a de tecidos Vera Cruz, e a ausência de energia elétrica, o que levava as crianças a improvisarem lanternas com velas dentro de mamão para brincar à noite. As brincadeiras de “avião” eram marcadas por riscos no chão e cordas, onde as crianças pulavam e se divertiam em grupo. O dia a dia era dividido entre as brincadeiras, o banho, as refeições e os estudos, mostrando uma rotina simples, mas cheia de significado e aprendizado. Ao final do dia, as crianças ainda testavam seus conhecimentos com perguntas, valorizando o estudo e a convivência.
Registros e Lugares:
Penedo:















Povoado Lagoa Azeda Jequiá Da Praia Alagoas:








São Miguel dos Campos:


